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Pequenas Hipocrisias

Quando um amor vira vício, e o vício vira substituto

Existe uma coisa curiosa sobre o fim de um amor: às vezes, não sentimos falta exatamente da pessoa. Sentimos falta daquilo que acontecia dentro de nós quando ela estava por perto.

Quando um amor vira vício, e o vício vira substituto

Quando um amor vira vício, e o vício vira substituto

Existe uma coisa curiosa sobre o fim de um amor: às vezes, não sentimos falta exatamente da pessoa. Sentimos falta daquilo que acontecia dentro de nós quando ela estava por perto.

A mensagem que fazia o coração acelerar. A expectativa. A dúvida. O “será que hoje ele vai aparecer?”. A reconciliação depois da briga. O alívio depois da ansiedade.

E talvez seja aí que mora o perigo.

Porque algumas relações não terminam quando terminam. Elas continuam existindo como um hábito. E, quando finalmente conseguimos nos afastar, procuramos outra coisa para ocupar aquele espaço.

Outro relacionamento. Outra paixão. Outra obsessão. Trabalho demais. Festas demais. Redes sociais demais. Qualquer coisa que produza aquela pequena descarga de emoção que costumávamos associar ao amor.

Será que estamos substituindo uma pessoa ou tentando substituir a sensação que ela provocava?

Talvez não seja amor. Talvez seja abstinência.

Tove Lo, em “Habits (Stay High)”, transforma o pós-término em uma espécie de fuga: quando uma pessoa desaparece, outras coisas ocupam o espaço deixado por ela. Não necessariamente porque queremos aquilo, mas porque precisamos sentir alguma coisa.

E talvez seja essa a parte mais desconfortável sobre alguns amores: eles podem criar um hábito antes de criar uma história.

A gente se acostuma com a mensagem, com a espera, com a reconciliação, com a ansiedade. E quando tudo acaba, procura desesperadamente outro lugar para colocar aquela intensidade.

Um novo amor. Uma nova paixão. Uma noite. Uma festa. Um corpo. Uma obsessão.

Qualquer coisa que faça o silêncio parecer menos silencioso.

No fim, talvez a pergunta não seja “com quem vou substituir esse amor?”

Talvez seja:

“O que eu estou tentando não sentir agora que esse amor acabou?”

Porque às vezes a pessoa que mais precisamos reencontrar depois de um término não está em outro aplicativo, outra festa ou outro relacionamento.

Está em nós mesmos.

E, convenhamos, essa talvez seja a única substituição que realmente vale a pena.

por: Sophy Boni