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Morre Netinho, voz marcante do axé, aos 60 anos

Cantor baiano construiu uma trajetória de sucesso com a Banda Beijo e na carreira solo. Sua música atravessou gerações e ajudou a levar a energia do Carnaval da Bahia para públicos dentro e fora do Brasil.

Morre Netinho, voz marcante do axé, aos 60 anos

O cantor e compositor Netinho morreu na manhã desta terça-feira, 13 de outubro, aos 60 anos, em Salvador. Ele enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B. Segundo a equipe do artista, a doença evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.

Ernesto de Souza Andrade Júnior, conhecido nacionalmente como Netinho, nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. Foi na capital baiana que sua carreira se aproximou do Carnaval, dos trios elétricos e dos ritmos que marcariam sua identidade artística.

Da Banda Beijo ao sucesso nacional

Netinho ganhou projeção como vocalista da Banda Beijo. No fim dos anos 1980, o grupo alcançou grande popularidade com “Beijo na Boca”, canção que ajudou a apresentar o axé music a públicos de diferentes regiões do país.

Em 1990, durante a Copa do Mundo na Itália, Netinho participou de uma apresentação histórica: um trio elétrico brasileiro foi levado ao exterior para animar torcedores em Turim. O episódio se tornou um marco na expansão internacional da música baiana.

O cantor iniciou a carreira solo em 1993, com o álbum Um Beijo Pra Você. A faixa “Menina” chegou ao público também pela televisão, ao integrar a trilha sonora da novela Tropicaliente.

“Milla” se tornou um hino do Carnaval

Em 1996, o álbum Netinho ao Vivo! levou sua carreira a outro patamar. A interpretação de “Milla” tornou-se um dos maiores sucessos de sua trajetória e uma das músicas mais associadas ao Carnaval da Bahia.

Cantada por multidões, a canção ganhou versões em outros idiomas e cruzou fronteiras. Ao lado de “Beijo na Boca”, “Menina”, “A Vida é Festa” e “Preciso de Você”, tornou-se parte do repertório que acompanha a memória afetiva de diferentes gerações.

Uma trajetória marcada por recomeços

Em 2013, Netinho enfrentou uma grave crise de saúde e sofreu três acidentes vasculares cerebrais. Depois de um longo período de internação e reabilitação, voltou aos palcos e retomou sua relação com o público.

Em março de 2025, recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin do tipo B e iniciou tratamento. A doença voltou em 2026, e o cantor passou por novas etapas de cuidado. Sua última apresentação ocorreu em janeiro deste ano.

Uma voz que permanece

Netinho ajudou a transformar a alegria do axé em uma linguagem reconhecida em todo o país. Sua presença nos trios, a força de suas interpretações e a energia de seus shows fizeram parte da história do Carnaval brasileiro.

Mais do que os sucessos que ficaram conhecidos, seu legado está na conexão que construiu com o público e na marca que deixou na música baiana. A voz de Netinho se despede, mas suas canções continuam vivas na festa, na memória e na história de quem cantou com ele.

O cantor deixa uma filha, Bruna. O velório e a cremação serão realizados de forma reservada, conforme o desejo manifestado por ele.