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FLÁVIO BOLSONARO DEIXA O BRASIL E DESEMBARCA NOS ESTADOS UNIDOS APÓS ORDEM DO STF

O senador Flávio Bolsonaro viajou com a mulher e as duas filhas depois de ser proibido pelo ministro Alexandre de Moraes de deixar o país e de receber prazo para entregar seus passaportes. O deslocamento, confirmado na terça-feira, 27, provocou reações de Lula, aliados do senador e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na manhã desta quarta-feira, 28, o jato em que a família viajava pousou em Miami, segundo informações publicadas pela imprensa.

FLÁVIO BOLSONARO DEIXA O BRASIL E DESEMBARCA NOS ESTADOS UNIDOS APÓS ORDEM DO STF

Na segunda-feira, 26, Flávio afirmou que havia sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes e proibido de sair do Brasil. A determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi tomada em um inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. A decisão também proibiu Flávio de manter contato com Tomaz.

O prazo para a entrega dos documentos terminou na manhã de terça-feira. Como os passaportes não foram apresentados, a Polícia Federal cancelou os documentos brasileiros nos sistemas de controle migratório.

Durante a terça-feira, o paradeiro do senador foi motivo de especulações. Flávio entrou na Argentina pela fronteira com o Brasil e, acompanhado da mulher e das duas filhas, embarcou em um jato particular com destino ao Equador. De lá, a família seguiu para Miami, onde chegou na manhã desta quarta-feira.

O governo dos Estados Unidos informou que concederia vistos a Flávio e aos familiares e permitiria a entrada deles no país. O presidente Donald Trump afirmou que aprovaria a ida do senador, mas disse não saber onde ele estava naquele momento. Trump também voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro, sem apresentar provas de fraude.

A ordem de Moraes está ligada a um inquérito que apura a relação de Flávio com Willer Tomaz. A investigação envolve suspeitas sobre movimentações financeiras, empresas ligadas ao advogado e uma casa de apostas.

Um dos pontos apurados diz respeito a registros bancários que teriam associado Flávio à conta de uma empresa chamada Alcazar Holdings. O senador e Tomaz negam irregularidades e contestam essa informação. A investigação segue em andamento, sem condenação nesse caso.

Flávio também é investigado em outro inquérito relacionado a suspeitas de repasses do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O senador nega ter cometido irregularidades.

A viagem ocorreu dois dias depois do segundo turno da eleição presidencial, em que Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. Antes de deixar o país, o senador havia dito que entregaria os passaportes e permaneceria no Brasil para organizar a oposição.

O coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho, afirmou ter sido surpreendido pela notícia e disse que não sabia onde Flávio estava.

Lula classificou a saída do senador como vergonhosa e afirmou que ele deveria ter cumprido a determinação judicial e permanecido no Brasil para se defender. Aliados de Flávio, por outro lado, falaram em perseguição política e manifestaram apoio ao senador.

POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS

A Polícia Federal pode comunicar ao Supremo Tribunal Federal o descumprimento da ordem. Com isso, Alexandre de Moraes poderá avaliar se serão necessárias novas medidas judiciais.

Até o momento, não havia mandado de prisão contra Flávio. O descumprimento de uma medida cautelar pode gerar consequências legais, mas não transforma automaticamente uma pessoa em foragida.