Na segunda-feira, 26, Flávio afirmou que havia sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes e proibido de sair do Brasil. A determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi tomada em um inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. A decisão também proibiu Flávio de manter contato com Tomaz.
O prazo para a entrega dos documentos terminou na manhã de terça-feira. Como os passaportes não foram apresentados, a Polícia Federal cancelou os documentos brasileiros nos sistemas de controle migratório.
Durante a terça-feira, o paradeiro do senador foi motivo de especulações. Flávio entrou na Argentina pela fronteira com o Brasil e, acompanhado da mulher e das duas filhas, embarcou em um jato particular com destino ao Equador. De lá, a família seguiu para Miami, onde chegou na manhã desta quarta-feira.
O governo dos Estados Unidos informou que concederia vistos a Flávio e aos familiares e permitiria a entrada deles no país. O presidente Donald Trump afirmou que aprovaria a ida do senador, mas disse não saber onde ele estava naquele momento. Trump também voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro, sem apresentar provas de fraude.
A ordem de Moraes está ligada a um inquérito que apura a relação de Flávio com Willer Tomaz. A investigação envolve suspeitas sobre movimentações financeiras, empresas ligadas ao advogado e uma casa de apostas.
Um dos pontos apurados diz respeito a registros bancários que teriam associado Flávio à conta de uma empresa chamada Alcazar Holdings. O senador e Tomaz negam irregularidades e contestam essa informação. A investigação segue em andamento, sem condenação nesse caso.
Flávio também é investigado em outro inquérito relacionado a suspeitas de repasses do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O senador nega ter cometido irregularidades.
A viagem ocorreu dois dias depois do segundo turno da eleição presidencial, em que Flávio foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. Antes de deixar o país, o senador havia dito que entregaria os passaportes e permaneceria no Brasil para organizar a oposição.
O coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho, afirmou ter sido surpreendido pela notícia e disse que não sabia onde Flávio estava.
Lula classificou a saída do senador como vergonhosa e afirmou que ele deveria ter cumprido a determinação judicial e permanecido no Brasil para se defender. Aliados de Flávio, por outro lado, falaram em perseguição política e manifestaram apoio ao senador.
POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS
A Polícia Federal pode comunicar ao Supremo Tribunal Federal o descumprimento da ordem. Com isso, Alexandre de Moraes poderá avaliar se serão necessárias novas medidas judiciais.
Até o momento, não havia mandado de prisão contra Flávio. O descumprimento de uma medida cautelar pode gerar consequências legais, mas não transforma automaticamente uma pessoa em foragida.
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