O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais mudou o humor dos investidores e provocou uma forte reprecificação dos ativos brasileiros. Entre o fechamento de 2 e o de 9 de outubro, o Ibovespa subiu 8,82%, encerrou a semana aos 209.066 pontos e renovou o recorde de fechamento. No mesmo período, o dólar comercial recuou 4,43%, de R$ 5,216 para R$ 4,985.
A reação foi concentrada logo após a votação. Nos pregões de 5 e 6 de outubro, o Ibovespa avançou 7,14% no acumulado, apesar da queda de 0,52% na terça-feira, depois da disparada inicial. O levantamento da Elos Ayta identificou 18 ações com valorização superior a 20% nessa janela de dois pregões.
O que subiu
As maiores altas dos primeiros pregões vieram de empresas menores e de setores ligados ao mercado interno. A varejista Quero-Quero avançou 46,75%; a Movida subiu 33,09%; a Ecorodovias, 31,34%; e a Pague Menos, 30,81%. Dezessete das 18 ações que ganharam mais de 20% pertenciam ao índice de small caps.
Bancos, varejo e construção também ganharam força na reação inicial. Esse comportamento costuma refletir a expectativa de juros menores adiante: empresas que dependem mais do crédito e do consumo doméstico podem se beneficiar caso o custo de financiamento caia. Trata-se de uma expectativa do mercado, não de uma mudança já concretizada na economia.
O que caiu
A alta não alcançou todos os papéis. Nos dois pregões analisados após o primeiro turno, Suzano recuou 5,93%, Embraer caiu 4,17% e Vale perdeu 2,40%. A valorização do real reduz, em moeda brasileira, o valor de receitas obtidas em dólar, o que pode pressionar empresas exportadoras.
Na semana encerrada em 9 de outubro, ações de telecomunicações também ficaram entre as maiores baixas: Telefônica Brasil caiu 5,25% e TIM recuou 4,18%. Nesse caso, a cobertura do mercado apontou também fatores próprios do setor, incluindo preocupações com a possível entrada da SpaceX no segmento de telecomunicações.
Por que o mercado reagiu
A leitura predominante entre analistas foi a de que o resultado eleitoral aumentou as apostas em uma possível mudança na condução da política econômica, especialmente nas áreas fiscal e de juros. A vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno foi interpretada por investidores como um fator capaz de alterar expectativas para o próximo governo. Essa é uma interpretação do mercado financeiro, não uma conclusão sobre o resultado da eleição ou sobre os efeitos de políticas que ainda não foram implementadas.
Também houve fatores além da política. A queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos favoreceu ativos de mercados emergentes, enquanto a divulgação da inflação brasileira trouxe um sinal de cautela: o IPCA subiu 0,82% em setembro, acima da expectativa de 0,73% do mercado. Mesmo com esse dado, Bolsa e dólar terminaram a semana favorecendo os ativos brasileiros.
Uma alta forte, mas ainda sujeita a mudanças
O balanço da semana mostra uma mudança clara no apetite dos investidores: a Bolsa avançou, o real se valorizou e empresas menores, varejistas e construtoras lideraram parte dos ganhos. Mas o movimento ocorreu em poucos pregões e não prova que a tendência será permanente. A própria análise das ações ressalta que a valorização não pode ser atribuída exclusivamente ao resultado eleitoral.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, os investidores devem continuar atentos às pesquisas, às propostas econômicas, às alianças políticas e aos sinais sobre as contas públicas. Até lá, o mercado pode alternar momentos de otimismo e cautela. A próxima direção da Bolsa dependerá não só da disputa eleitoral, mas também de como as propostas para a economia serão detalhadas e recebidas.
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