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APÓS SEIS ANOS E TRABALHANDO COM RECICLAGEM, TIAGO VARGAS É REINTEGRADO À POLÍCIA CIVIL

O ex-vereador de Campo Grande voltou oficialmente ao cargo de investigador da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul após a Justiça anular sua demissão, aplicada em 2020. A notícia chegou enquanto ele trabalhava com reciclagem. Após a reintegração, Vargas foi designado para atuar em Pedro Gomes, município onde já havia trabalhado.

APÓS SEIS ANOS E TRABALHANDO COM RECICLAGEM, TIAGO VARGAS É REINTEGRADO À POLÍCIA CIVIL

Tiago Vargas estava trabalhando com reciclagem em Campo Grande quando recebeu a notícia de que o Governo de Mato Grosso do Sul havia publicado o ato de sua reintegração à Polícia Civil. Emocionado, ele comemorou o retorno à profissão que, segundo afirmou, era um sonho desde a infância.

A decisão encerra uma espera de mais de seis anos desde sua demissão, em julho de 2020. O governo estadual tornou sem efeito a penalidade e os atos do processo administrativo disciplinar que resultaram no desligamento de Vargas.

No dia seguinte à publicação, ele foi designado para trabalhar como investigador na Delegacia de Polícia Civil de Pedro Gomes, no norte do estado. O município já havia sido seu local de trabalho antes da demissão.

POR QUE A DEMISSÃO FOI ANULADA

A demissão ocorreu após Vargas publicar um vídeo criticando uma blitz do Detran e fazendo ofensas ao então governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja. O processo administrativo também se apoiou em um laudo médico que apontava incompatibilidade entre a condição de saúde do investigador e o exercício da função policial.

Ao analisar o caso, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul entendeu que a prova médica usada para justificar a penalidade havia perdido confiabilidade. O laudo foi questionado após o Conselho Regional de Medicina apontar problemas éticos na conduta do profissional responsável pela avaliação.

Com isso, os desembargadores anularam o processo administrativo e a demissão. O Estado recorreu, mas o Tribunal manteve a decisão. A Justiça também ressalvou que a administração poderá abrir um novo procedimento, caso entenda necessário, desde que utilize prova técnica idônea e respeite o direito de defesa.

A decisão, portanto, reconheceu falhas no processo que levou à demissão. Ela não impede a abertura de outro procedimento administrativo com novas provas.

DA POLÍTICA À RECICLAGEM

Depois de deixar a Polícia Civil, Vargas ganhou projeção na política de Campo Grande. Foi eleito vereador em 2020 e, dois anos depois, recebeu votação suficiente para conquistar uma vaga de deputado estadual. No entanto, não assumiu o mandato porque a demissão teve efeitos sobre sua candidatura perante a Justiça Eleitoral.

Nos últimos meses, afastado da vida pública e sem exercer a função policial, ele passou a trabalhar com coleta e reciclagem de materiais. Em suas publicações, descreveu a atividade como um trabalho digno e honesto. Foi nesse período que recebeu a notícia de que poderia voltar à corporação.

RETORNO AINDA TEM CONDIÇÕES

A reintegração foi oficializada para cumprir a decisão judicial, mas o caso ainda pode ter novos desdobramentos. O Estado havia buscado suspender os efeitos da decisão, e a Justiça autorizou a possibilidade de um novo processo administrativo caso sejam apresentadas provas técnicas confiáveis.

Além disso, Vargas cumpre prisão domiciliar com monitoramento eletrônico em outro processo, separado da disputa sobre sua demissão. Para se deslocar até Pedro Gomes e assumir as funções presencialmente, ele precisa observar as condições determinadas pela Justiça.

A reintegração marca uma vitória importante após anos de disputa, mas o retorno efetivo ao trabalho dependerá também das autorizações necessárias e do andamento dos processos ainda em curso.